(Portuguese) FHC on murder of a landless protester: "A warning to Brazilian people"

Nestor Miguel Gorojovsky Gorojovsky at SPAMarnet.com.ar
Sat Oct 21 18:54:26 MDT 2000


I would greatly thank our Portuguese or Brazilian comrades for a
translation. This is unbelievable, even in Brazil. I am not sure that
Menem would have gone that far...


------- Forwarded message follows -------
To:                     (Recipient list suppressed)
From:                   "Simone R. Freitas" <sfreitas at biologia.ufrj.br
Date sent:              Sat, 21 Oct 2000 21:35:09 -0200
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Subject:                [listageografia] [cidadaniabrasil]
LADO_B_O_OUTRO_LADO_DA_MIDIA_BRASILEIRA?

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From: "Heitor Reis" <heitor at topservice.com
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Date: Sat, 21 Oct 2000 17:59:57 -0200


 LADO B O OUTRO LADO DA MÍDIA BRASILEIRA

 A UEE, União Estadual dos Estudantes, promoveu durante o Festival
 de Inverno de Ouro Preto, um festival paralelo, chamado de "Lado
 B". Foi nesse lado que o público teve oportunidade de participar de palestras
 que tentavam mostrar "o outro lado" da questão brasileira.  Foi
 na tarde do dia 13 de julho, uma quinta-feira, que o mais emocionante (e
 emocionado) debate aconteceu, com o auditório da Escola de Farmácia lotado.
O tema era Literatura, Uma Visão Crítica da Realidade". Na  mesa,
 Ziraldo representando a revista Bundas, José Eduardo, representando
a revista A Palavra, José Carlos Rui, representando a revista Princípios e José
Arbex Jr., a Caros Amigos. O rumo da palestra mudou depois que o editor
 da Palavra revelou: "Estou de luto, a Palavra acaba de encerrar
suas atividades". Ziraldo sentiu sua dor de estômago com mais
força, e José Arbex Jr. destilou o veneno de um dos mais lúcidos
pensadores do Brasil de  hoje.

Com você, a intervenção de Arbex  Jr, na íntegra, sem cortes. Bom
apetite.


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 "Agradeço o convite para a revista Caros Amigos vir participar do
debate.

 Eu confesso que tinha pensado numa outra intervenção, um pouco
mais voltada para os problemas da literatura, etcetera. Mas depois do que eu
acabei de ouvir aqui (referindo-se a morte da revista A Palavra) tão
irritado que vou mudar o tom da minha intervenção.

 Ontem à noite, eu participei de um ato do MST, e na mesa estava o
 José Celso, diretor do Teatro Oficina. Vocês devem saber que o
 Oficina foi um dos  baluartes da resistência contra a ditadura
 militar. Estava também João Pedro Stédille um dos dirigentes do MST.
E o ato foi feito para o lançamento de um jornal especial do MST,
com tiragem de 500 mil exemplares,  que vai ser distribuído no país inteiro,
cuja função é denunciar  uma campanha sistemática de calúnias,
mentiras e difamações que a mídia vem promovendo contra o MST.

 Uma das denúncias do ato, feita pelo próprio José Celso, tem tudo
 a ver com o que acabou de ser dito aqui. O diretor do Oficina denunciou que
 o teatro que foi um dos baluartes da luta contra a ditadura está sendo
pressionado por um grupo chamado Sílvio Santos. Querem dividir o Teatro
 Oficina para fazer um estacionamento. Olha, somando isso com o
 que ele acabou de falar (José Eduardo divulgando a morte da Palavra),
vocês vão me desculpar, mas VA PARA A PUTA QUE O PARIU! (aplausos
calorosos).

Agora eu vou falar um pouco mais sobre o ato do MST, desculpem por eu
ter mudado o tom da intervenção. É o seguinte. Nesse jornal que o
MST acabou de  lançar se faz uma análise do que é a mídia brasileira.
Esse jornal ao  denunciar o que ela é hoje mostra algumas coisas que  são, no
mínimo,  esclarecedoras.No dia dois de maio, havia um ônibus, que saiu do
interior do Paraná, levando lavradores, gente de meia idade, trabalhadores da
terra, que foram se manifestar em Curitiba em defesa da reforma agrária. No
meio da estrada havia uma barreira policial cujo objetivo era impedir o
ônibus de chegar a Curitiba. Os lavradores foram obrigados a descer  do ônibus,
foram passados por uma revista humilhante. Um deles se  revoltou,
fez um gesto de revolta qualquer, passou a ser atacado. E  um senhor de 38
anos de idade, pai de cinco filhos, todos eles na  escola, um cidadão digno,
trabalhador, honrado, honesto, chamado  senhor Antônio Tavares Pereira,
foi defender o amigo que estava jogado  no chão sendo mordido por
cachorros. Levou um tiro no abdome, morreu.    Qual a reação do
nosso amado presidente da República? Declarou publicamente que a
morte desse senhor devia servir de advertência para o povo brasileiro.
Quer dizer, um pai de cinco filhos, honrado, honesto, e assassinado
pela  Polícia Militar e o canalha que está na presidência da República,
envolvido  agora num escândalo de corrupção num buraco sem fundo,
esse canalha diz que a morte de um trabalhador é uma advertência para a
nação brasileira, e o que faz a mídia? Que fizeram?

Eu não li um único editorial notando que havia algo estranho nas
palavras do senhor presidente da República. Não vi um  único artiguete de
cinco linhas, dizendo, "puta!!! Esse cidadão tá ameaçando a nação brasileira.

Ziraldo: Isto porque você não lê a Bundas!) (risos).



Exceto a Bundas... Mas eu não estou incluindo a Bundas aqui. Aí
você pode falar, "não, mas isso aí foi um lapso, os editores não perceberam
o que aconteceu..." Será? Dois dias depois, um senhor chamado
José Gregori, ministro da Justiça, um  cara que lutava pelos
Direitos Humanos, era do Comitê de Justiça e Paz, esse José
Gregori declarou que o MST, ao invadir prédios públicos, havia  praticado
atentados. Quem é o MST? O MST é hoje um movimento que tem 150 mil
famílias assentadas  e 300 mil famílias acampadas. Portanto quando nós
falamos MST nós estamos  falando em 450 mil famílias. Portanto, em dois milhões de
brasileiros. Se um
ministro da Justiça acusa um movimento com dois milhões de
brasileiros de praticar atentado, no mínimo este ministro tem que
provar o que ele diz.  Ou então cair fora, porque ele não serve  para
representar o povo  brasileiro.



O que fez a midia? Cobrou do  ministro José Gregori alguma prova,
exigiu que se apresentasse evidências? Ao contrário: reproduziu
as suas palavras e  caiu de pau no MST em editoriais. Não bastasse isso,
um pouco depois, lá  pelo dia 13 ou 14 de maio, não me lembro direito, o
Fernandinho  foi para São  Paulo, tão amado que é do povo brasileiro, e
não conseguiu dormir na sua  casa, porque ele tentou entrar e o prédio
estava cercado de manifestantes. Para ele conseguir entrar teria que chamar a
polícia para dispersar os manifestantes. Não quis correr esse desgaste, ficou no
hotel.

E ele declarou, cercado de amor que ele está pelo povo brasileiro, que
iria adotar  contra o MST a solução da "tolerância zero". Sabe o que
quer dizer esse  termo "tolerância zero"? É o termo empregado pela  polícia
de Nova Iorque  contra as gangues de mafiosos, narcotraficantes,
assaltantes e bandidos. A narcotraficantes, a bandidos. E  o  que
faz a mídia de novo se limita a reproduzir aquilo que diz o governo. Portanto
essa é a nossa mídia. Tem mais do que isso. Adotando a tolerância zero
contra o MST, ou seja, contra "esse  bando de terroristas que faz
atentados por aí", o governo FHC  reconstruiu o Serviço Nacional
de  Informações (SNI),Serviço que reúne todos aqueles dedicados a
espionar, a delatar e a vigiar os que fazem oposição ao regime do senhor FHC.


Portanto nós vivemos num período em que, com a conivência e cumplicidade
da mídia que não obstante se diz democrática, o senhor  presidente
declarou guerra ao povo brasileiro. E em nome dessa guerra está
reconstruindo o aparato da ditadura militar. Com a  conivência de
uma mídia fascistóide. É essa que é a verdade, e essa verdade tem que
ser dita até o fim, estamos vivendo sim senhor uma situação de guerra civil nesse
país. Uma guerra civil não declarada, uma guerra civil  que se
pratica no  dia-a-dia. Em plena avenida Paulista, quando
professores vão se manifestar por melhores salários, desenvolvimento da
educação e da cultura, 38 pessoas  saem feridas. A polícia atacou com bombas
e cavalaria professores, que estão lutando por melhores salários! Isso é
guerra! Isso é uma guerra campal. Ontem nesse ato do MST nós
tivemos notícia de que a PM, em ação no interior  do Estado de São Paulo,
invadiu um acampamento do MST e obrigou todas as mulheres a se despirem.
Inclusive senhoras de 75 anos de idade Isso é guerra. Essa merda desse país
esta numa situação de guerra. E o que faz a mídia? O que faz a mídia?
Lambe o cu desse canalha. Essa é a verdade. E é com essa verdade que
nós temos que lidar. É por isso que eu mudei completamente a minha
intervenção ao saber do fim da  Palavra. Não dá mais para suportar isso.
Então é óbvio que diante desse  quadro aqui, gente como o Ziraldo, revistas
como a Palavra, não tem espaço. Não interessa outra alternativa.
Não interessa ter veículo de massa que fale outra coisa diferente do que diz
O Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo, a Rede Globo. Não interessa.
Pior do que não interessar: é perigoso.

A pergunta é: por que eles estão de marcação com o MST? Por uma
só razão, não tem duas.Eles não estão atacando o MST porque eles querem a
reforma agrária. O MST quer reforma agrária desde 89. Eles não
estão atacando o MST porque ele é radical. Eles sabem que não é. Eles
estão atacando o MST hoje sabe por quê? Porque o MST está dando um
"mau exemplo". Imagina se aqueles que não têm teto, se aqueles que não têm
escola, se aqueles que não têm emprego, começam a se organizar em
movimentos, começam a ir para a rua e ocupar prédios públicos. Imagina o
que vai acontecer nesse país. E aí eles criam essa situação de terror contra
o MST para impedir que o mal exemplo se  repita. Palavra é um mau exemplo.
É claro que nenhum empresário vai querer se juntar ao mau exemplo. Nós,
da Caros Amigos, ficamos sabendo, de um amigo nosso que  trabalha
em agência de publicidade, que os donos de agências foram advertidos
pelo Governo Federal. O governo avisou que não queria  anúncios
na Caros Amigos.

Nós fizemos um acordo em Caros Amigos. Sabe qual o acordo? Nenhum
colaborador da revista cobra porra nenhuma para escrever. Nós não
ganhamos um tostão para escrever em Caros Amigos. O que nós fazemos?
Vamos acumulando as dívidas. Caros Amigos deve um monte de dinheiro
para mim, por exemplo. Deve para o Aloysio Biondi (nota:Biondi morreu na
semana seguinte, de enfarte). todo mundo que escreve em Caros Amigos
acumula dívidas. Se algum dia essa porra não emplacar, não der certo, não
vai pagar as dívidas.

Se alguém dependesse da revista para sobreviver estava ferrado.  Essa
foi a única maneira que nós encontramos de viabilizar a publicação.



Quando nós vamos discutir cultura brasileira, passa por essa
situação midiática, que é essa investida que o Estado faz contra
a nação brasileira, e não pode existir cultura brasileira sem existir nação
brasileira. O que o estado brasileiro está tentando fazer é destruir a nação. Então
está na hora de defendermos a nação brasileira. Se todo mundo que
está aqui estiver de acordo comigo, vamos começar a reagir para  defender a
nação brasileira.

Agir  em todos os campos em que possamos agir. E na medida em que
cada um possa  agir, seja fazendo seu  jornalzinho na escola, seja
participando de um movimento maior, seja  se dirigindo ao MST no dia 14 e
verificando onde é que vai ser a distribuição do jornal para ajudar, seja através
da disseminação de informações via Internet, seja comprando
assinatura de Bundas; eu não sei  como, enfim, comprando a Caros
Amigos, evidentemente. Está na hora de agir,  está na hora de ocupar a praça.



Não tem mais que esperar, acabou, chega. Nós  estamos esperando
mais o quê, cidadão? Vir o trator da multinacional que vai  comprar a Cemig
para destruir a casa de vocês? É isso? É hora de ocupar a praça
pública, é isso que nós temos que fazer. Fora disso, olha, não
tem  cultura brasileira, não tem nação brasileira, não tem mais
nada.

Tem só uma merda. Muito obrigado".


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