(Portug) Geopolitics of Global Climatic Change

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Mon Apr 16 17:36:34 MDT 2001


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Organization:           CBPF
To:                     listageografia at yahoogroups.com
From:                   Sergio da Costa Velho <monleone at cbpf.br>
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Subject:                [listageografia] Geopolitica das Mudancas
                         Climaticas Globais / Transposicao do Velho Chico

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6. Geopolitica das mudancas climaticas, artigo de Wagner Costa Ribeiro

O autor e' geografo e professor do Depto. de Geografia da USP. Artigo
publicado na "Folha de SP", de 10/4:

A pesar das preocupacoes relevantes em torno das mudancas climaticas
globais, expressas em editoriais e reportagens desta Folha, e' preciso
analisar com mais precisao as suas consequencias.

Nao restam mais duvidas, no meio cientifico, de que a dinamica dos
processos naturais sera' alterada pelas mudancas climaticas globais,
afetando os lugares de maneira diferenciada.

Os paises pobres sofrerao mais, principalmente porque as condicoes de
vida de suas populacoes estao bem aquem das condicoes dos paises
ricos.  As projecoes sao dramaticas.

Algumas indicam mudancas no regime de chuvas, intensificando-o em
algumas areas e diminuindo a sua intensidade em outras.

Isso agravara' os problemas sociais resultantes de enchentes e de
periodos de longa estiagem -estao previstas perdas humanas e
materiais, no primeiro caso, e migracao em busca de agua, no segundo
caso.

Mas ha' um outro principio que esta' sendo tratado no cenario de
negociacoes envolvendo as mudancas climaticas globais.

Trata-se da seguranca ambiental internacional -tema recente no estudo
das relacoes internacionais envolvendo o ambiente-, que consiste em
assumir que as condicoes naturais que permitem a ocorrencia da vida
humana no planeta estao em risco.

Significa dizer que, apesar de as mudancas climaticas afetarem mais as
populacoes de paises pobres, elas tambem levarao
problemas 'as populacoes de paises ricos no futuro.

Por mais que se projetem consequencias desiguais entre os paises, a
grande pergunta e': ate' quando os paises ricos suportarao a pressao
que vao sofrer das populacoes dos paises pobres?

Sabe-se, cada vez com mais certeza, que o estilo de vida das
populacoes ricas agrava as mudancas climaticas. E esse e' um grande
argumento a favor dos paises pobres.

Enquanto esses principios estiverem em discussao nas conferencias das
partes da Convencao de Mudancas Climaticas, restara' a expectativa de
auferir bons resultados para os paises pobres, apesar da disposicao
dos EUA em nao ratificar o Protocolo de Kyoto.

A elaboracao de normas que regulem a acao de paises com relacao 'as
causas das mudancas climaticas globais e' resultado de longos debates,
que estao longe de serem encerrados.

A decisao daquele pais pode ser revertida com a pressao internacional
de outras liderancas da comunidade internacional, embora tenhamos de
admitir que nao houve mudanca na posicao do maior poluidor do planeta
desde 1992 em relacao a esse tema e em relacao 'a Convencao sobre
Diversidade Biologica, que tambem nao foi ratificada pelo seu
Congresso.

Em vez de lamentar a posicao isolacionista dos EUA, algo que nao e'
novo no debate sobre as relacoes internacionais, devemos estar atentos
'as novas oportunidades comerciais que comecam a se desenhar para os
paises pobres -oportunidades ate' estranhas, como o direito de poluir
em troca da compra de certificados de retencao de carbono.

Ha' a previsao, nesse caso, de que um pais rico poderia investir, por
exemplo, no reflorestamento de um pais pobre em troca da continuidade
de emissao de gases que afetam o efeito estufa.

Enquanto eles emitem os gases estufa, nos nos responsabilizariamos por
captura-los. Nao e' a melhor saida e certamente e' muito polemica, mas
se trata de uma proposta real em discussao e com experiencias em curso
ate' mesmo no Brasil.

Os paises ricos, alem disso, nao atuam como um bloco
hegemonico. Existem diferencas entre as posicoes do Japao, dos EUA e
da Uniao Europeia, para citar alguns casos.

A chance de aproveitar isso e de organizar um bloco mais coeso entre
os paises pobres seria uma alternativa que ainda nao vimos nos foros
internacionais sobre o ambiente.

Muitas ONGs de paises ricos estao sensibilizadas com o tema e
pressionam os seus governos para que as posicoes sejam revistas. Elas
sao importantes na ordem ambiental internacional, pois sensibilizam a
opiniao publica para temas que afetam carreiras politicas pelo mundo
afora.

Se as projecoes preocupam, ainda mais quando avalizadas por renomados
cientistas, a politica ainda nao morreu. E' por ela que as solucoes
serao construidas, renovando a historia, que esta' longe de seu fim e
nao pode ser vista de maneira catastrofista.  (Folha de SP, 10/4)
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7. Justica cancela audiencia sobre Rio S. Francisco: sem reunioes
publicas na Bahia, Ibama nao pode aprovar projeto de transposicao

Biaggio Talento escreve para o "O Estado de SP":

A audiencia publica que seria realizada ontem em Salvador para
discutir a transposicao do Rio Sao Francisco foi suspensa pela 10ª
Vara da Justica da Bahia, que acatou liminar impetrada pelo Centro de
Recursos Ambientais do Estado (CRA).

O governo baiano e' contra o projeto, que conseguiu um fato inedito:
unir parlamentares da oposicao e governistas.

Um grupo de deputados estaduais esteve no Hotel Fiesta - onde a
Secretaria de Infra-estrutura do Ministerio da Integracao Nacional
pretendia realizar a audiencia - para protestar contra a transposicao.

Com a liminar em maos, os parlamentares e funcionarios do CRA
impediram o inicio da discussao. A audiencia de hoje, marcada para
Juazeiro, tambem foi suspensa.

O Ministerio da Integracao Nacional entrou com recurso para tentar
cassar a liminar. O juiz da 10ª Vara, Cesar Fonseca, listou uma serie
de irregularidades no projeto, principalmente nos estudos de impacto
ambiental realizados a pedido do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
e dos Recursos Naturais Renovaveis (Ibama).

Pela lei, o Ibama so' concede licenca ao projeto apos a realizacao de
audiencias publicas em todos os Estados afetados. Na Bahia e em
Sergipe, cujos governos se opoem ao projeto, elas nao foram
realizadas.  (O Estado de SP, 10/4)
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Fonte: Transcritos do JC-Mail, nº 1765 de 10 de abril de 2001

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Néstor Miguel Gorojovsky
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