(Port) A folha de Sao Paulo compara Argentina y Brasil

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Sun Dec 23 08:52:08 MST 2001


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JANIO DE FREITAS / FOLHA DE SÃO PAULO

O tempo dos enganadores 

Nas origens menos imediatas da convulsão argentina encontra-se um
problema que se difundiu na América Latina ao findar o ciclo dos
regimes ditatoriais.
Proveniente, em grande parte, da associação entre políticos,
marqueteiros eleitorais e certa corrente de economistas, é o problema
da liberdade concedida aos que, candidatos, propõem programas
adequados às aspirações do eleitorado e, eleitos, renegam o que
escreveram e disseram. E lançam o país em descaminhos que lhe
comprometem o presente e o futuro pelo desemprego, o endividamento, a cessação
dos investimentos de governo, os juros homicidas, os impostos devoradores, em
resumo. Caso a convulsão popular na Argentina limite-se ao ponto a que chegou,
será um final melhor do que o esperável, porque a crise sócio-econômica, esta,
até agora ninguém imaginou como e quando será desfeita. Apesar disso, deve ser
eleitoralmente proveitoso, para o brasileiro, saber que a situação geral do
Brasil só é melhor que a da Argentina no palavrório servido todos os dias ao
país todo. O desemprego é considerado fator explosivo na Argentina, por ter
atingido o percentual escandaloso de 18%. Idêntico ao do Brasil (agora mesmo
reconfirmado em São Paulo pelo Dieese), onde o dado oficial de 6 a 7% faz a
gracinha de só considerar desempregado quem estava procurando emprego quando da
medição. É como se, nos domingos e feriados, a taxa de desemprego fosse zero. A
degradação dos padrões de vida argentinos tem sido muito forte desde o governo
Menem, mas os índices argentinos piores continuam referindo-se à pobreza. No
Brasil, a monstruosidade não se chama pobreza, chama-se indigência: 50 milhões
que não ganham nem R$ 80 por mês, ou R$ 2,60 por dia, para ingerir a alimentação
minimamente indispensável (2.280 calorias/dia). E, desses miseráveis totais, que
sobrevivem em condições físicas equivalentes às dos campos de concentração
nazistas, 22,5 milhões são crianças. Os analfabetos argentinos são 3,5% da
população. No Brasil, são 13%, se considerados apenas os maiores de 15 anos, e
ainda há os milhões que apenas sabem garatujar o nome. Para encurtar os aspectos
sociais que se confundem com pólvora: no Índice de Desenvolvimento Humano
-medido pela ONU com base em renda per capita, nível educacional e expectativa
de vida-, a Argentina figura em 34º lugar, o Brasil, em 69º. A dívida externa
brasileira é, proporcionalmente às duas economias nacionais, muito mais grave
que a argentina e vem devorando parte muito maior do Orçamento e do Produto
Interno Bruto. O que lembra uma contradição e uma pergunta: Fernando Henrique
Cardoso disse que as condições atuais do Brasil já eliminam mesmo a
"possibilidade de contaminação do Brasil com a crise argentina", enquanto
Armínio Fraga explicava que o Comitê de Política Monetária decidiu manter os
juros astronáuticos de 19% porque "não estamos livres da transmissão das crises
argentinas" -e você, em qual dos dois acredita? Os argentinos não podem esperar
que seu país saia, sem novos problemas, da camisa-de-força em que Menem, Cavallo
e o FMI lançaram o peso e, por consequência, a economia, em ação oposta ao
programa eleitoral. Os brasileiros não devem esperar saída sem solavancos da
armadilha em que, no exato oposto ao que lhes foi prometido, Fernando Henrique,
Pedro Malan e o FMI puseram o país, armadilha em que a estabilidade razoável da
moeda e o indispensável crescimento econômico são inimigos de morte.

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Néstor Miguel Gorojovsky
gorojovsky at arnet.com.ar

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