Social Mundial

Les Schaffer schaffer at SPAMoptonline.net
Fri Feb 23 08:32:55 MST 2001


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Já está no ar o balanço político da Liga Bolchevique Internacionalista
acerca do Fórum Social Mundial, que foi realizado em Porto Alegre.

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FÓRUM SOCIAL MUNDIAL
Uma tentativa de consolidar
a terceira via na América Latina

O Fórum Social Mundial (FSM) realizado em Porto Alegre, de 25 a 30 de
janeiro, teve como anfitriões os governos petistas do estado do Rio
Grande do Sul e da capital, Porto Alegre. O FSM foi criado por ONGs
internacionais, Igreja, entidades sindicais e empresários para se
contrapor ao Fórum Econômico Mundial (FEM) que se realizava em Davos,
na luxuosa estação de esqui da Suíça. Lá, o imperialismo se reunia
para discutir como realizar suas novas investidas sobre o
planeta. Aqui, a centro-esquerda de Davos se colocava como alternativa
para gerir a crise capitalista.

Os organizadores do FSM se apresentam como a continuidade propositiva
ao que se denominou "espírito de Seattle". Ou seja, os protestos
contra a OMC, o FMI, o Banco Mundial que se iniciaram a partir de
Seattle no final de 1999, os quais se estenderam para Washington, Nice
e Praga. Entretanto, por detrás disto se esconde uma importante
questão de fundo político. Vejamos.

A FALÁCIA EM TORNO DO 'ESPÍRITO DE SEATTLE'

As manifestações de Seattle tinham como objetivo principal realizar
uma pressão sobre a cúpula da OMC acerca das "questões ambientais", e
por um "mundo mais justo".

A partir de então, as ONGs, na ausência de um partido revolucionário
que abarcasse os sentimentos mais prementes das massas revoltadas com
a exploração capitalista, em particular a juventude, conseguiram
galvanizar este descontentamento a seu modo, ou seja, nos limites da
"pressão democrática" sobre as instituições do imperialismo tais como
o FMI, o Banco Mundial etc.

As ONGs estão diretamente vinculadas ao imperialismo europeu e cumprem
um papel objetivamente contra-revolucionário dentro do espectro das
fricções interimperialistas. Ao mesmo tempo em que as ONGs procuram
brechas para penetrar nos mercados dominados pelo imperialismo ianque
e, na inexistência de uma direção revolucionária no movimento de
massas, difundem através do assistencialismo a política da "terceira
via" e seu "capitalismo alternativo", embotando a consciência de
classe do proletariado com pieguices ecológicas, democráticas e
humanitárias.

Precisamente sob esta ótica sucederam-se as referidas manifestações,
as quais têm o FSM como ápice da política social-democrata da
manutenção da exploração capitalista em moldes "humanizados". O FSM
veio apenas reforçar ainda mais estas tendência reacionárias.

Até mesmo a esquerda que se reivindica "trotskista" foi enfeitiçada
por este canto de sereia. No Brasil, o PSTU afirma que o Fórum Social
Mundial esteve "distante do espírito das manifestações de Seattle..."
(Opinião Socialista, n.º 109), adaptando-se à perspectiva
contra-revolucionária das próprias ONGs e da social-democracia
européia.

PORTO ALEGRE E DAVOS, DOIS LADOS DE UMA MESMA MOEDA

Na realidade, o FSM desde a sua concepção foi o substrato do FEM! Por
exemplo, o ministro francês, Guy Hascot, participante do FSM, foi quem
mais exortou a similaridade entre os dois eventos: salientou que Davos
e Porto Alegre irão debater os mesmos problemas a fim de tornar "mais
civilizada e humana" a globalização. Para ele, as mobilizações
antiglobalização de Seattle, Washington e Praga foram salutares, pois
"abriram caminho a este progressivo reconhecimento, pelos órgãos
internacionais como o FMI, OMC e o próprio Fórum de Davos, dos demais
atores da economia globalizada, os que representam com suas propostas
de regulação, os diferentes setores da sociedade civil" (Zero Hora,
24/01/01).

Seguindo esta perspectiva, o diretor-gerente do FEM, Claude Smadja,
defende a tese de uma "segunda fase" da globalização: "penso que a
primeira fase da globalização foi marcada por muita euforia. Agora
percebemos que a globalização não pode ser apenas um negócio e uma
revolução econômica: tem que ter uma dimensão cultural e social
também" (Zero Hora, 26/01/01).

As propostas são tão similares que foi realizada uma teleconferência
entre Porto Alegre e Davos com a participação do megaespeculador
George Soros como interlocutor do FEM ao lado da OMC, FMI etc. e
Bernard Cassen do Le Monde Diplomatique, representantes da via
campesina e de ONGs.

Enfim, o FSM é subproduto da pressão de um setor dos governos da
"terceira via" européia, diretamente influenciado pela
social-democracia francesa, que visam esboçar um programa político em
nível mundial que anule a resistência das massas exploradas contra o
imperialismo, ao mesmo tempo que tenta se colocar como "alternativa"
às investidas do imperialismo ianque na América Latina.

AS ONGs A SERVIÇO DO IMPERIALISMO EUROPEU

O imperialismo europeu se fez presente no FSM através da ATTAC
(Associação pela Taxação das Transações Financeiras para Ajuda aos
Cidadãos - "taxa Tobin"). A ATTAC nasceu na França por intermédio do
jornal pró-imperialista Le Monde Diplomatique. Hoje esta ONG tem
associados no mundo inteiro. Mas qual a razão de ser desta organização
que praticamente criou o FSM?

Um dos principais objetivos da ATTAC é implementar a taxação dos
movimentos do capital especulativo (1% nas movimentações financeiras)
em escala mundial. A taxa Tobin incidiria principalmente sobre os
mercados de Nova Iorque e de Londres, pelos quais passam mais da
metade do capital mundial especulativo. Sairiam ganhando os mercados
de Paris e de Frankfurt, que representam apenas 6% do fluxo de capital
em nível mundial. Aqui estão representados os interesses da burguesia
imperialista que se bate contra o imperialismo americano em intensas
guerras comerciais.

O imperialismo europeu tem interesses no Mercosul. Não foi à toa que o
diretor do Le Monde Diplomatique e presidente da ATTAC na França,
Bernard Cassen, sugeriu que o FSM fosse realizado no Brasil. Com os
olhos voltados para o Mercosul, a União Européia se opõe à instalação
de uma zona de livre comércio na América Latina (ALCA) que iria
beneficiar unicamente os Estados Unidos. Desta forma, o governo
capitalista de Olívio Dutra, defensor do Mercosul, se torna um aliado
em potencial do imperialismo europeu contra a ALCA, ou mais
precisamente ao que se chama política "neoliberal" ou a
"globalização". Esta peculiaridade obscura é que define o conteúdo
político do próprio FSM. O "capitalismo humanitário" defendido pelas
ONGs é o véu que procura encobrir os interesses coloniais do
imperialismo europeu na América Latina.

O 'CAPITALISMO ALTERNATIVO' DO FÓRUM SOCIAL MUNDIAL

Os organizadores do fórum, aproveitando-se da etapa de retrocesso
ideológico, colocaram em prática um autêntico manancial de "novos"
conceitos políticos para confundir a consciência das massas
exploradas.

O FSM foi chamado sob o signo da "sociedade civil internacional
organizada", onde não há espaço para distinções de classe. A própria
definição do evento revela o conteúdo frente populista e conciliador,
que tem como mote a defesa de "um mundo menos desumano", por cujo
objetivo passa a conformação de um novo instrumento de "pressão
democrática" sobre o mundo neoliberal.

A partir destes "novos" conceitos, no alvorecer do novo século, a
esquerda (social-democrata) pretende inaugurar uma nova forma de
enfrentar as investidas cada vez mais violentas do imperialismo. Ou
seja, fazendo crer que o FMI, o Banco Mundial, a OMC e o ALCA se
sensibilize com as chamadas "pressões democráticas" como contraponto à
"velha" ação direta das massas contra os exploradores. A "civilidade"
depreendida do FSM serve muito mais como uma tentativa de esfriar os
intensos conflitos de classe na América Latina (Equador, Argentina,
Peru, Venezuela, Bolívia etc.), uma vez que predica a defesa do regime
democrático-burguês.

De acordo com os idealizadores do evento, inaugura-se uma nova
modalidade de oposição ao neoliberalismo: "a superação dos protestos
que já ocorreram durante a realização de outros encontros do FEM"
(José Dirceu, Informes n.º 2232, 29/01/01). Esta "nova fase", segundo
o presidente do PT, é de "apresentar propostas e alternativas para
vencer o neoliberalismo", enterrando de vez manifestações mais
contundentes das massas. Acima das manifestações de massas e protestos
"pareceria possível passar-se a uma etapa propositiva, de busca
concreta de respostas aos desafios de constituição de 'um novo mundo'"
(Correio da Cidadania n.º22, 12/2000). Trata-se da chamada "lógica da
proposição", que tem como princípio a apresentação no parlamento
burguês de projetos de preservação ambiental, de segurança pública e
distribuição de renda. Uma verdadeira lição de "cidadania"!

Para arrematar, como "saída prática", o deputado Aloísio Mercadante
defende a implantação da "Taxa Tobin", a qual seria cobrada (1%) das
movimentações financeiras junto ao capital especulativo. A receita da
taxa seria destinada a um "fundo de combate à exclusão e à pobreza"
(Informes n.º 2232). O que o deputado não explica é como exercer o
controle desta taxa, pois os bancos guardam a sete chaves o segredo
comercial das transações financeiras, nem para onde se destinaria este
dinheiro. Além do mais, esta cobrança é tão inócua e ridícula que o
magnata George Soros se tornou um dos maiores defensores desta taxa!

Para os revolucionários, o segredo comercial só pode ser abolido com a
abertura das contas dos bancos, após a derrubada da burguesia e seu
regime de opressão e exploração, o que se daria somente através da
revolução e da ditadura proletária. Qualquer outra medida fora deste
âmbito seria um engodo.

Todas estas "proposições" derivam do fato de que hoje o PT é governo,
não lhe interessando, portanto, que se organizem manifestações de
massa. Os governos petistas mantém intacto o aparato repressivo, as
verdadeiras máquinas de matar que são as polícias militares, subsidia
multinacionais, paga em dia a dívida pública junto ao governo FHC,
penaliza os aposentados com a cobrança da previdência. O governo
Olívio Dutra (que tem a esquerda do PT, a Democracia Socialista, na
vice-governadoria) sabota e reprime a luta dos trabalhadores da
educação do Rio Grande do Sul. Para a "segurança" do fórum Olívio
Dutra triplicou o efetivo policial nas ruas e colocou os quartéis em
regime de prontidão. Este é o modo petista de governar, o qual não
admite mobilizações contra sua cartilha neoliberal de tipo
"alternativa".

Por fim, foi graças às declarações desastrosas do governo FHC contra o
FSM e, mais ainda, às ameaças estéreis de expulsão de José Bové, líder
camponês na França, que o PT e os demais organizadores do evento
puderam disfarçar a imagem desmoralizada, oficialista e bem comportada
que o caracterizava.

Seguindo a trilha do bom comportamento imposto ao fórum pela frente
popular, o PSTU - junto com as correntes que dirigem a prefeitura e o
governo do Estado - tentou e impedir qualquer iniciativa independente
da juventude que se encontrava no acampamento. Já na assembléia do
acampamento da juventude, do dia 26, havia sido deliberado por uma
série de manifestações contra o FSM. Na massiva assembléia do dia 27,
o PSTU, juntamente com a chamada esquerda petista se valeram do
aparato sindical (carro de som) não para organizar a luta política
contra o caráter reformista do fórum, mas para abortá-la, para tentar
acaudilhar, dividir e desmobilizar a juventude. Ou seja, o PSTU se
colocou para fazer o jogo sujo em favor do bom andamento do FSM.

Era exatamente isto que queria a esquerda petista! Impedir protestos
contra o seu governo. O PSTU esperava que fazendo a vontade da
esquerda do PT, estaria ganhando para si este setor. Nada disso,
tornou-se refém dela, esteve sempre sob a sua disciplina na
expectativa de realizar uma plenária comum para reeditar o extinto
bloco "Rompendo Amarras" (que se reunia durante os congressos da União
Nacional dos Estudantes). A esquerda petista simplesmente sabotou esta
plenária, no final não tiraram nenhum manifesto comum, nem sequer
fizeram qualquer manifestação. Nada. O sonho de "unidade" com a
esquerda petista se desfez como poeira ao vento!

Mais uma vez, a política desastrosa de ir a reboque do PT foi
conduzida pela direção do PSTU, acabando por desmoralizar os
militantes classistas e honestos que esperavam alguma ação mais
contundente de seu partido. Num Fórum onde "dominou o bom
comportamento" (Opinião Socialista, n.º109) o PSTU foi impecável.

COMBATER A PROPAGANDA IDEOLÓGICA ANTICOMUNISTA

A intensa propaganda ideológica imperialista após a destruição
contra-revolucionária da URSS, aliada à vergonhosa capitulação da
esquerda centrista, provocou um enorme retrocesso na consciência
política das massas exploradas, recriando velhos preconceitos
ideológicos contra a mais rica experiência revolucionária já vivida
pelo proletariado mundial: a Revolução bolchevique.

A reação anticomunista se manifesta através do triunfalismo
capitalista que tem como objetivo destruir qualquer possibilidade dos
lutadores sociais conceberem uma futura revolução socialista, para
cooptá-los à única política "possível" o cretinismo reformista. Como
alvo dos ataques está o bolchevismo, ou seja, a necessidade da
construção de uma direção centralizada e disciplinada sob um programa
orientado para a revolução mundial.

Envenenados pelo bombardeio ideológico democrático-liberal do
imperialismo e confundidos pela traição dos aparatos burocráticos dos
partidos reformistas (incluindo os que mancham a bandeira do
trotskismo com a política da colaboração de classes) a juventude que
busca se libertar da opressão e exploração capitalistas acaba caindo
num desvio não menos reacionário, no apartidarismo anarquista que
obstaculariza a construção de uma nova vanguarda comunista e nega o
único instrumento capaz de dar uma saída conseqüente à crise da
humanidade: o partido revolucionário internacionalista.

Em síntese, o anarquismo é uma forma de idealismo democrático radical
pequeno burguês que seduz uma parcela da juventude ante a
desmoralização dos partidos tradicionais, mas que na prática acaba
favorecendo-os.

Uma prova do que estamos falando foi a vergonhosa participação dos
anarquistas no II Encontro contra o neoliberalismo em Belém, no final
de 1999, os quais atuaram como um fã-clube do zapatismo, politicamente
integrados à organização do evento, mesmo sendo aquele (como também o
é o FSM) uma vitrine do modo petista de governar o Estado capitalista
(a prefeitura de Belém), que reprimiu com a guarda municipal os que
protestavam contra o caráter do evento, incluindo alguns
anarquistas. Já no FSM, em Porto Alegre, uma vez que o evento foi
boicotado pelo zapatismo - já não tão em moda - os anarquistas ficaram
órfãos e, ao contrário de Belém, apoiaram a formação de um pólo
anticapitalista. Ou seja, o que permeia sua política não é a
independência de classe, mas apenas a negação pura e simples do
Estado, o que lhe confere uma postura vacilante diante da burguesia e
seus agentes como a frente popular.

LBI IMPULSIONA PÓLO ANTICAPITALISTA

Nem todos concordaram com a política de colaboração de classes
defendida no Fórum. Durante todo o evento os militantes da LBI que
distribuíram o manifesto "Um outro mundo apenas é possível com a luta
revolucionária pela destruição do Estado capitalista rumo ao
socialismo", defenderam a necessidade de construção de um pólo
classista dos setores dispostos a denunciar o caráter do FSM. No
acampamento da juventude, após repudiarem a manobra burocrática da
esquerda petista e do PSTU, que tentavam sabotar a assembléia da
juventude no dia 27/01, a LBI propôs a continuidade da assembléia que
deliberou por um manifesto e um ato público comum do bloco
anticapitalista.

Entretanto, no interior do bloco havia um setor que se colocava
contrário a que se tecesse críticas à frente popular e a sua vitrine o
Orçamento Participativo (OP). Estamos nos referindo ao PTS argentino,
e sua quase inexistente sucursal brasileira, para o qual Seattle abriu
a perspectivas para um "novo internacionalismo", não importando se
quem esteja à frente destes movimentos sejam os agentes do
imperialismo europeu. Opondo-se a incluir no manifesto a denúncia da
frente popular petista e do OP, o PTS alegava que os trabalhadores não
entenderiam, nem aceitariam romper com o "consenso" que é o OP, porque
tal política "isolaria o bloco". Demolindo estes argumentos clássicos
do centrismo, a LBI, junto com outros setores anticapitalistas,
denunciou a reacionária política de "humanização do capital"
assinalando que o modo petista de governar é a expressão mais acabada
disto, com seus mecanismos para administrar a crise do capitalismo. No
final, foi distribuído o manifesto comum "Um outro mundo é
possível... só destruindo o capitalismo", e organizado uma
manifestação pública no saguão principal dos eventos do Fórum para
denunciar o caráter eminentemente governista e burguês do fórum (vide
abaixo, na íntegra).

SÓ A REVOLUÇÃO PROLETÁRIA PODE CRIAR UM 'NOVO MUNDO'

Num mundo dividido em classes distintas é impossível qualquer mudança
substancial no modo de produção sem que uma classe se atrite com
outra. Os interesses da classe operária são diametralmente opostos aos
da burguesia, logo, a tentativa de conciliá-los se converte numa
traição.

As propostas do FSM visam única e exclusivamente a conciliação de
classes, no sentido de reforçar ainda mais o atual regime político,
subordinando os trabalhadores aos interesses das multinacionais e ao
grande capital.

Os setores combativos e classistas que participaram do fórum em Porto
Alegre devem tirar as devidas conclusões acerca do caráter
contra-revolucionário do FSM.

O próximo desafio acontecerá em Buenos Aires, de 5 a 7 de abril quando
os ministros da ALCA estarão se reunindo para preparar a reunião dos
presidentes (esta acontecerá duas semanas após, no Canadá). Está
colocada a necessidade de superar a direção "propositiva"
pró-imperialista das ONGs e as burocracias sindicais, preparando e
organizando grandes manifestações, cujo método deve ser a ação direta
das massas. É preciso superar a política dos que querem transformar o
protesto num mero acontecimento midiático ou como a burocracia
sindical argentina que visa restringir os protestos à defesa da fonte
de seu parasitismo (as obras sociais), chamando a classe operária
latino-americana a dar continuidade as lutas travadas no ano passado
contra os planos de ajuste impostos pelo FMI, implementados por seus
governos títeres, através de uma greve geral ativa continental no dia
07 de abril.

Chamamos os signatários do manifesto "Um outro mundo é possível... só
destruindo o capitalismo" a aproveitar o momento para realizarem
concomitantemente em Buenos Aires um novo encontro internacional tendo
como objetivo aprofundar os debates em torno de um programa
anticapitalista e revolucionário e da construção de atividades
internacionalistas contra a intervenção imperialista na Colômbia e no
Oriente Médio.

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Um outro mundo é possível...
só destruindo o capitalismo!

Este manifesto foi lido num ato anticapitalista que contou com mais de
200 pessoas, entre ativistas independentes, grupos autônomos,
anarco-punks e militantes anarquistas, guevaristas, socialistas e
trotskistas, que se realizou na PUC-RS no dia 29/01 diante da imprensa
internacional e participantes do Fórum Social Mundial.

Desde Seattle, passando por Washington, Londres, Milão, Melbourne,
Seul, Praga até Nice, uma e outra vez dezenas de milhares de jovens
anticapitalistas vêm denunciando, com a ação direta, os grandes
monopólios e os organismos internacionais como FMI, Banco Mundial, OMC
e União Européia. Essas instituições são as responsáveis pela
exploração de milhões de trabalhadores, pela destruição do meio
ambiente e por colocar milhões de pessoas nas mais baixas condições de
pobreza. A denúncia desses jovens anticapitalistas é muito clara
quando gritam pelas ruas do mundo que o "capitalismo mata, matemos o
capitalismo" e "abaixo o FMI".

Agora, aqui, cm Porto Alegre, no Fórum Social Mundial, as ONG'S, as
burocracias sindicais e as direções de partidos institucionalizados,
trocam o conteúdo da luta dos jovens anticapitalistas pela reacionária
política de "humanização do capital",. Humanizar o capitalismo com os
ministros franceses que perseguem imigrantes, que são parte do governo
que, junto com a OTAN, bombardeios à Iugoslávia, matando milhares de
pessoas e que reprimiu os anticapitalistas em Nice; humanizar o
capitalismo junto com banqueiros e multinacionais; humanizar o
capitalismo junto com governos que, como o PT, seguem pagando a divida
interna, reprimiram a greve dos professores, no Rio Grande do Sul, e a
ocupação do MST a um prédio público federal cm Porto Alegre; reprimem
, diariamente, os camelos e os sem-teto em ocupações urbanas
porto-alegrenses e seguem dando dinheiro ás multinacionais.

Na verdade a estrela que dirige essa prefeitura e governo, que se
dizem, democráticos e populares, interessados na eleição de 2002,
resolveram servir de tubo de ensaio para unia nova forma de gestão do
capitalismo sustentada numa social democracia que permite a exploração
da burguesia, agrada a classe média com encenações de democracia como
o Orçamento Participativo que visa impedir o protesto pela cooptação
dos movimentos populares. Completa esse quadro os demais partidos de
"esquerda", que mesmo criticando essa política, capitulam diante de um
questionamento mais contundente.

Humanizar o capitalismo é utópico e reacionário. Por isso, nós, jovens
anticapitalistas do acampamento de juventudes nos sentimos parte do
movimento anticapitalista e solidários com os jovens que, em Davos,
denunciam o Fórum Econômico Mundial. E dizemos que: 0 Fórum Social
Mundial é um engano dos que querem desviar a luta anticapitalistas
para a política de colaboração de classe e eleições, continuando a
aplicar a miséria do capitalismo. Por isso, nós realizamos nossas
próprias oficinas encaminhando a construção de uma rede nacional
anticapitalista sob o grito de: "Abaixo o Fórum Econômico Mundial,
FMI, Banco Mundial e OMC!", aos quais o Fórum Social Mundial não é uma
alternativa, "Abaixo o Plano Colômbia!", "Viva a intifada palestina!",
"Não ao pagamento da dívida externa e interna!", "Não às
privatizações!"

O capitalismo mata, matemos o capitalismo. Cabe á juventudes aos
trabalhadores e povo pobre anticapitalistas, fiéis ao espírito de
Seattle, Nice, Praga e Davos, impedir que a intervenção
anticapitalista seja distorcida e utilizada por seus inimigos.

Assinam:
Jornal Espaço Socialista, Comitê Marxista Revolucionário, Juventude
Avançar na Luta, Liga Bolchevique Internacionalista, Juventude em Luta
Revolucionária, Anarco-Punks, Movimento Che Vive (RJ), Coletivo pela
Universidade Popular (Porto Alegre), Secretária Estadual de Casas de
Estudantes de Goiás, Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua,
Federação Anarquista Gaúcha, Grupo Cultural Semente de Esperança, Ação
Global por Justiça Local, Resistência Popular (RJ/PA), Núcleo Zumbi
Zapatista (ABC Paulista), Estratégia Revolucionária, Socialismo
Libertário (Brasília), Federação Anarquista Uruguaia, Ação
Revolucionária Marxista (RJ), Frente de Luta Popular, , Espaço
Cultural Quilombola (Araçatuba-SP), En Clave Roja (Argentina),
Coletivo Marcha de Panamá, Movimento contra o Neoliberalismo (Panamá),
Rede Periferia de São Paulo, CAVE (Coletivo Alternativa Verde) e
demais ativistas anticapitalistas.






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